Sempre quis alguém que me ouvisse. Não as bobagens que falo de vez em sempre. Mas o que minha alma não sabe dizer. Que fizesse esforço para captar tudo que não sai da minha boca.
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.
A felicidade mantêm você doce; dores mantêm você humano; quedas te mantêm humilde; provações te mantêm forte; mas só Deus te mantêm prosseguindo.
Saibas que a vida não é feita de bem-me-quer. Você mesmo quer viver como se cada dia fosse uma pétala arrancada pelo destino em números ímpares, onde corre o risco de terminar triste ou feliz. Entenda que felicidade parte sempre da gratidão. Compreende essa palavra? Gra-ti-dão: Reconhecimento por um beneficio recebido. Muito básico, não é? Você só precisa se ajoelhar a cada fim do dia na beira da sua cama, crescer a sua criança à ponto de que saiba que todas as coisas boas, os doces e amargos do seu dia, vieram pra te dar algo bom, coisas que te façam amadurecer na manhã seguinte, quando acordará novamente e dirá: “Hoje eu serei feliz”.
Por mais que saiba, por histórico, que o primeiro passo ainda não é garantia de caminhada, mas já é avanço e esperança.
A gente é tão pequeno, tão humano, tão simples. E a vida, meu amigo, é tão complexa, complicada, difícil.
Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa. Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.
As vezes esperamos demais das pessoas, porque estamos dispostos a fazer mais por elas.
Vamos sorrir devagar
Pra ficar feliz por mais tempo.